quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Por que lutar em nome da Educação Popular?

Muitas vezes fui questionada sobre o fato de defender com unhas e dentes a Educação Popular e isso fez com que eu começasse a pensar ainda mais sobre tal assunto que há muito tempo me interessa. Temos uma pluralidade de questões que se tornam desafios diários para a construção de uma sociedade justa e democrática: A Educação básica oferecida pelo estado –por exemplo- é, na grande maioria das vezes, muitíssimo precária e não visa a emancipação de seu aluno, tampouco possibilita sua participação efetiva nos processos de seleção da universidade pública. Esse sistema (injusto) de seleção que é o exame vestibular não passa de um filtro social que, mais uma vez, avalia de modo indistinto pessoas que vivem realidades totalmente diferentes e apoia a meritocracia apoiada no berço de ouro, desrespeitado um direito constitucional: o direito à educação. Esse modelo (ao meu ver) perverso me incomodou muito desde sempre e eu resolvi que eu me tornaria a pedrinha no sapato desse sistema (injustíssimo) vigente. 
Nunca pensei em entrar em sala de aula só para reverter a defasagem do conteúdo, queria também proporcionar condições para que o aluno desenvolvesse um olhar crítico, mas sempre me perguntei como e onde faria isso. Foi então que encontrei o Resgate, onde sempre estamos questionando a negação de direitos e oportunidades para uma parcela significativa de nossa sociedade e toda essa lógica de exclusão que não nos é nada aceitável. Democratizar o ensino superior e o acesso ao conhecimento ganha destaque na nossa luta, mas não nos preocupamos apenas com a preparação para o vestibular, aqui temos uma perspectiva transformadora e emancipatória, temos preocupações com a conscientização e reflexão crítica, além de criarmos vínculos de amizade que nos tornam ainda mais fortes.

O Resgate tem sido o lugar que mais aprendo (no sentido mais amplo da palavra). Aprendo com meus colegas professores, aprendo com os meus alunos e aprendo muito com quem me questiona sobre Educação Popular, pois a cada reflexão sempre encontro mais e mais motivos para continuar participando dessa luta popular. Enquanto o direito à educação for desrespeitado e a lógica da exclusão ainda estiver vigente em nossa sociedade, não nos calaremos. “Universidade Popular não é um sonho. É teu direito, é pública.” 

Nathielle Rodrigues | Professora de Literatura

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