domingo, 7 de setembro de 2014

O racismo no cotidiano da sociedade


Primeiramente é importante ressaltar que falar de qualquer tipo de preconceito, quando não se sofre, é difícil e não é o mais apropriado. Por mais que se leia sobre tais assuntos, não se compara de forma alguma com as experiências passadas pelas vítimas de preconceitos. Porém como cidadão e professor resolvi compartilhar meu pensamento e minha indignação referente ao racismo.

Tomo como exemplo o fato ocorrido durante o jogo do Grêmio contra o Santos, quando uma parte dos torcedores tentaram atingir o goleiro santista Aranha, usando a palavra 'macaco' como forma de xingamento. Um ato vergonhoso, nojento e repugnante. Eu estava presente no jogo no mesmo setor de onde saíram os xingamentos, e pela reação do goleiro, apontando em direção à  torcida extremamente revoltado, achei que algo de cunho racista havia sido dito. Achei mas não por se tratar da torcida do Grêmio ou de um determinado setor, mas sim por se tratar do Brasil, do Mundo.           Sentir-se surpreso com o ato dos torcedores é um tanto quanto hipócrita. Basta visualizar e refletir sobre o que acontece em seu entorno.Vivemos em uma sociedade racista! Não enxerga aquele que não quer! Basta perceber, no seu cotidiano, como por exemplo expressões usadas pelas pessoas, como 'denegrir'. O que é denegrir? Outro exemplo claro do racismo no cotidiano, que reflete diretamente nas oportunidades dadas aos cidadãos: qual é a cor da pele da maioria dos garis? E dos médicos? e nas faculdades, a maioria dos alunos são negros ou brancos?

Devemos denunciar e nos indignar com todas as formas de racismo e preconceito. E por que o fato ocorrido no último dia 29 de agosto em São Paulo não teve tanta repercussão e indignação? Quando alguns PMs cercam 3 homens negros, um pai e seus dois filhos, querendo levá-los para a delegacia, alegando que eles seriam os suspeitos de uma denúncia de furto, sem prova alguma. O pai dos garotos deu uma aula de resistência e luta para os policiais e para a população que testemunhavam e denunciavam o ato inconsequente dos PMs. Me pergunto o que acontece com os jovens negros nas favelas enquanto as câmeras não gravam? Isso não é notificado. O racismo que a mídia notícia é aquele que estão nos holofotes. E os casos como do Amarildo, da Cláudia, do DG?Enquanto casos como esses acontecerem, não ficarei surpreso com atos como o do jogo do Grêmio na última quinta-feira. Ambos os atos racistas deveriam ter tanto ibope e causar tanta indignação da população em busca de justiça.
   
Devemos combater todos os atos de racismo na rua, na sala de aula, nas redes sociais, nos estádios. Devemos dar a mesma importância para todos os tipos de preconceito, e não apenas os que estão nas lentes das grandes empresas de TV. O ato da Torcida Jovem do Grêmio retirar a palavra macaco de seus cânticos, foi muito importante para essa luta. Referente à  torcedora que foi filmada enquanto chamava o goleiro de macaco , ela errou feio, vai ser punida pela justiça. Porém de forma alguma isso permite que as pessoas xinguem ela ( em que sua maioria foram xingamentos machistas) e toquem pedras na casa dela. Ela vai pagar pelo que fez! Não acho correto querer 'grenalizar' esse acontecimento, pois isso não é questão futebolística e sim de cidadania.
 Porém o que ela fez é só a ponta do iceberg. E os policias dos outros casos? Serão punidos? Ah sim, eles vão 'averiguar a situação'.
       
A humanidade tem uma dívida imensa com o povo negro. No Brasil mais de 50% da população é negra e essa porcentagem é bem menor nas universidades. Medidas como cotas nas universidades é o mínimo a ser feito. Precisamos seguir forte na luta contra o racismo. Chega de genocídio.Quero muito estar vivo para ver os atos homofóbicos e machistas também chamarem a atenção e indignarem a população. Todo tipo de preconceito é repugnante. Racismo mata. Machismo mata.
Homofobia mata.



Fábio Costa | Professor de Geografia

Nenhum comentário:

Postar um comentário