quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Depoimento de Caleu Nunes | Estudande de Jornalismo UFRGS e Ex-aluno

Eu estudei no Resgate em 2012. Lembro-me perfeitamente daquela sexta-feira quente, quando já atrasado fui me inscrever no Resgate. Jamais poderia imaginar que naquela noite tão igual a tantas outras eu iria encontrar algo que me arremataria e me traria tanto sentido quanto o Resgate me traz. Acho que eu não poderia falar sobre o que eu sinto pelo curso sem antes buscar aquela lembrança do dia em que fui me inscrever. 
Passado as inscrições, o ano que se passou foi extremamente importante. Parece que havia algo mágico dentro daquela sala de aula. A grande diferença entre os demais cursos e o Resgate, por ser um cursinho popular, é que os estudantes que ali estão são pessoas que acreditam acima de tudo em um sonho. Não que os alunos dos particulares não sonhem em passar na UFRGS. Mas quando se trata de alunos socialmente vulneráveis, qualquer problema com uma dimensão relativamente pequena pode fazer com que o objetivo de estudar acabe se esvaindo pelos dedos e nunca mais volte à tona. Os professores sabiam da responsabilidade que tinham. E desde o primeiro momento passavam uma energia que fazia com que todas as pessoas que entrassem naquela sala quisessem voltar a pisar ali mais uma vez.
Hoje eu poderia fazer um texto sobre o Resgate e encher de teorias. Entretanto, eu não estaria sendo honesto. Quando recordo das minhas aulas por lá, a primeira coisa que me arremata é aquele sentimento de que ‘sim, eu posso fazer qualquer coisa’. Talvez seja por isso que eu nunca tenha me afastado por muito tempo do Resgate. E quando eu vejo os novos alunos, além de um vergonhoso ciúme pela falta que aquela sala me faz, eu sinto vontade de fazer com que eles sintam tudo isso que eu sinto. Se eles tiverem noção do que eles são capazes, do que o simples fato de sonhar é capaz, eu tenho certeza que eles serão capazes de fazer tudo aquilo o que desejarem.


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