quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Jamais deterão a primavera

Em 9 de outubro de 1967, um dia após sua captura, foi assassinado em La Higuera, Bolívia, o revolucionário Ernesto “Che” Guevara. Refiro-me a ele como revolucionário por não ver outra palavra que pinte melhor o retrato eternizado por Alberto Korda em uma sacada de Havana. Ernesto, junto à Fidel, Raul, Camilo, fora uma das grandes figuras da Revolução Cubana, processo que marcou profundamente a América da segunda metade do século XX, alimentando corações de trabalhadoras e trabalhadores do campo e da cidade no que antes se chamava terceiro mundo. Che, após a vitória da Revolução, participou ativamente do processo reformulação do estado cubano, ocupando cargos de extrema importância e responsabilidade.

Guevara hoje não é apenas uma personalidade histórica de um processo revolucionário terceiro-mundista, é um exemplo, é a necessidade da revolução, é a ânsia pelo novo mundo, pelo que ele chamava “novo homem”. 

A data é de uma triste lembrança do que foi uma vitória da estupidez dos grandes frente à esperança pequenos, do assassinato do prisioneiro Guevara que dizem ter se levantado antes de ser assassinado com a força que ainda lhe restava frente selva, a asma, o cárcere e a ponta do fuzil de um soldado boliviano. 

No entanto, quando penso o Che, qual é o Che que levo para a minha vida, minha atuação política em comunidade? 

Deixando de lado as preocupações e compromissos da História, me apego muito ao Che da América do Sul e ao Che da África. O Che que até hoje traz debates e especulações sobre suas motivações, sobre sua escolha de não cumprir o papel de estadista em Cuba, fortalecendo a Revolução. Guevara como um internacionalista, cumpria seu papel revolucionário e com isso passa a mensagem de que é necessário avançar, não importa quão grande sejam nossas conquistas. Tremes diante a indignação e seremos companheiros. As vitórias não terminam em uma ilha. E nossas derrotas não serão o nosso fim. Che representa o incansável, os lutadores, as utopias sempre renovadas. O argentino e cubano foi também uruguaio, brasileiro, angolano e congolês.

A morte não deteve o que foi e é “El Che” e o guerrilheiro ainda vive nos que não se calam frente a opressão no mundo do trabalho, na vida em comunidade, nas universidades. A data é triste, repito, mas também deve ser uma data de renovação e fortalecimento das lutas e das esperanças e há uma frase que retrata de maneira muito interessante o que vejo como uma síntese do que é, o exemplo de Guevara. Como historiador seria uma grosseria tremenda eu utilizar de uma citação da qual não estou encontrando a referência, mas aqui não escrevo para a academia e não preciso ter a preocupação que ela tem em não falar a língua das pessoas que estão do lado de fora de seus muros. Mas haverá um dia em que a Universidade falará em nossa língua, e lá estaremos todos, na frente dessa transformação, pois é esta a nossa luta como Resgate. Mas isso é conversa para outra hora. Sobre Guevara, sua morte precoce, sua vida e seu exemplo... Fica esse grande ensinamento atribuído ao Che, sem fontes, mas que inúmeras vezes ouvi de lutadoras e lutadores incansáveis que mantém vivo Ernesto Guevara.

“Os poderosos podem matar uma, duas, até três flores... Mas jamais deterão a primavera”

Ernesto “Che” Guevara


Lourenço Stefanello | Professor de História

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