quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Massacre de Tlatelolco completa 45 anos

Monumento para vítimas do massacre

O ano de 1968 foi marcado por uma série de protestos pelo mundo. Na França, as mobilizações partiram dos estudantes e tiveram seu auge no mês de maio, após o fechamento da Universidade de Nanterre. A agitação viria a abranger vários setores da sociedade. Os Estados Unidos, por sua vez, estava mergulhado na Guerra do Vietnã, e havia um certo desconforto devido ao assassinato do líder negro Martin Luther King, morto em abril do mesmo ano. A América Latina sentia os efeitos do imperialismo intervencionista norte-americano. No Brasil, a ditadura instaurada quatro anos antes, se tornara ainda mais repressiva. Em São Paulo, no mês de junho, ocorrera a Passeata dos Cem Mil. Essa efervescência política mundial acabou ecoando no México.

A Cidade do México fora escolhida para ser a sede dos Jogos Olímpicos de 1968. Os meses que antecederam os jogos foram de grande instabilidade política. Devido à visibilidade proporcionada pelas Olimpíadas e também como reflexo das agitações ocorridas mundo a fora, os estudantes organizaram uma série de protestos na capital mexicana. O governo, por sua vez, tentou sufocar as manifestações. Há um mês do início da competição, o exército ocupou o campus da Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM) – que na época era a maior da América Latina – torturando e prendendo estudantes. O ocorrido fez que com que aumentasse a revolta com o governo mexicano.

Em 2 de outubro, milhares de estudantes de várias instituições tomaram as ruas da capital mexicana para protestar contra a ocupação da UNAM. Ao entardecer, um grupo de aproximadamente 8 mil pessoas rumaram em direção à Plaza de las Tres Culturas, em Tlatelolco, entoando cantos de ordem, no que até então estava sendo uma manifestação pacífica. Ao anoitecer, forças do exército e da polícia, fortemente armados, abriram fogo contra a multidão. Há relatos de que a matança entrou noite adentro, com militares fazendo buscas em casas e apartamentos próximos à praça.

Em nota oficial, o governo afirmou que o confronto teria começado por parte de pessoas infiltradas em meio aos manifestantes, que teriam efetuado disparos contra os soldados, tendo estes, agido em legitima defesa.

O ataque resultou em um número oficial de 40 mortes, embora algumas entidades civis apontem que houve mais de 300.

Caleu Nunes, núcleo de Comunicação

Nenhum comentário:

Postar um comentário