segunda-feira, 27 de abril de 2015

Resgate participa de aula aberta sobre a democratização da mídia

Quantos negros são personagens de novelas? Quais papéis ocupam? Por que alguns assuntos sequer aparecem e outros têm tanto destaque nos jornais? O que realmente é liberdade de expressão? Esses foram alguns dos questionamentos feitos durante a Aula Aberta: Democratização da Comunicação e os 50 anos da Rede Globo, realizada na última quarta-feira no Museu da UFRGS.

O debate foi organizado pelo Diretório Acadêmico da Comunicação da UFRGS (Dacom) e pela Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação Social (Enecos) e contou com a participação de alunos e de professores do Resgate Popular. Para discutir o tema, foram convidados o jornalista e professor da Faculdade de Comunicação (Famecos) da PUCRS, Juremir Machado da Silva, e o coordenador e professor de história do Resgate Popular, Bernardo de Carli.

O domínio da maior parte da mídia pela Rede Globo e a forma como seus programas influenciam o modo de pensar da população foi bastante debatido. Alguns dos pontos levantados foram a cobertura às manifestações de 15 de março desse ano, apontadas por Bernardo como semelhantes à Marcha da Família com Deus pela Liberdade, em 1964 , e o debate entre Collor e Lula, em 1989.

A democratização e a regulamentação da mídia foram defendidas como forma de dar voz a diferentes setores da sociedade, o que não acontece quando as concessões de rádio e de televisão estão em posse de poucas famílias. Segundo Juremir, a regulamentação da mídia resolveria parte das questões levantadas, mas o mais importante é a formação de uma população preparada para criticar os conteúdos da mídia. Em contraponto, alunos questionaram até que ponto a mídia forma essa população, interferindo na maneira como compreendem os acontecimentos e criam imagens sobre eles.

Um consenso entre os professores foi a inexistência da imparcialidade, seja no jornalismo, seja em outras áreas, pois cada um percebe e retrata um mesmo acontecimento de formas diferentes, a partir do seu ponto de vista e de suas vivências. Juremir ressalta que o importante nas coberturas jornalísticas é que o profissional não seja desonesto; embora tenha uma ideologia, ele não pode manipular as informações de forma a favorecê-la.

Algumas alternativas apontadas na aula aberta foram seguir exigindo a democratização e buscar trazer diferentes pontos de vista sobre o que acontece. O que pode ser feito a partir de blogs e de redes sociais, mas sempre tomando cuidado com o que é divulgado e sendo responsável pelo que afirma.

Para saber mais sobre a campanha e sobre o projeto de lei que pede a democratização da mídia, acesse www.paraexpressaraliberdade.org.br


Laís Webber | Núcleo de Comunicação

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