sexta-feira, 27 de novembro de 2015

No Resgate, a ex-aluna Camila Garcia deu significado a palavras

Até os 25 anos, Camila Garcia nunca tinha pensado que entrar na universidade era uma opção. Filha de uma faxineira e de um jornaleiro, passava os dias abastecendo as gôndolas de um supermercado, mas queria mesmo ser advogada. Um dia, digitou no Google “curso pré-vestibular de graça” e encontrou o Resgate Popular. “Eu não entendia o que significava essa palavra ‘popular’, só fui descobrir o que era isso depois que entrei no Resgate.”

A descoberta aconteceu em um dia marcante para Camila, em uma confraternização entre alunos e professores do curso, em 2013. “As atividades mexeram comigo como ser humano e comecei a ligar um ponto com o outro”, conta. Com um ponto com o outro, ela quer dizer que pode questionar, pela primeira vez, por que ela, negra, mulher, de uma família de baixa renda, nunca tinha enxergado antes a chance de entrar na universidade. “Naquele contexto, eu descobri o que era popular e o que era educação de verdade”, diz.

Os óculos pelos quais Camila enxerga o mundo, então, passaram a ser críticos. Naquele ano, ela foi aprovada no vestibular da UFRGS, mas o sonho do Direito ficou para trás. Agora, a licenciatura em Letras a empolgava, motivada pelos professores do Resgate. “Passei de primeira no vestibular por causa dos professores. Eles demonstravam que sabiam meu nome e que acreditavam verdadeiramente em mim. Conseguíamos conversar fora da sala de aula”, conta.


Depois que entrou na universidade, Camila precisou abandonar o trabalho no supermercado por causa dos horários das aulas, mas se envolveu em atividades que acredita de verdade. Tornou-se monitora de redação no Resgate Popular, em 2014, e hoje trabalha no Programa de Ações Afirmativas da UFRGS (CAF), dando apoio pedagógico para estudantes indígenas. “Antes ‘crítica’ e ´cidadania´ eram só palavras. Hoje fazem sentido.”

Júlia Lewgoy | Núcleo de Comunicação

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