sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Conquista de um, empoderamento de todos


Mulher, negra e moradora da periferia, Samara Ayres não tinha perspectiva de cursar o Ensino Superior. Quando frequentava o Colégio Estadual Júlio de Castilhos, ela repetiu o último ano de Ensino Médio por evasão, já que não conseguia conciliar trabalho e estudos. Porém, incentivada por uma professora, ela prestou vestibular para Biblioteconomia e passou em sua primeira tentativa. Após três semestres, percebeu que não se identificava com o curso e com o ambiente em que estava inserida. Através da indicação de um dos professores do Resgate Popular, Samara conheceu o cursinho e resolveu dar uma nova chance ao Ensino Superior.

Hoje, a estudante de Serviço Social fala que o Resgate foi, e ainda é, mais do que um cursinho pré-vestibular. Para ela, este ambiente proporciona aos alunos a possibilidade de descobrir as suas identidades e de entender que estar na universidade, embora não seja uma regra, deve ser uma opção para todos. A seleção por meio de vestibular segue o modelo meritocrático e não acompanha as diferenças sociais, mantendo sempre a população negra e as pessoas da periferia excluídas do ambiente acadêmico.

A conquista de estar na universidade não é individual. Samara afirma que, cada vez que um aluno de periferia ocupa esse espaço, ele leva as problemáticas que sua comunidade enfrenta para dentro da academia e abre espaço para reformular o sistema de dentro para fora. O que a deu mais forças para não desistir de buscar sua vaga é ser um modelo, mostrando que é possível conquistar esse sonho, pois o êxito de cada aluno ao passar no vestibular empodera toda a comunidade onde está inserido.

Alessandra Werlang | Núcleo de Comunicação

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