quinta-feira, 31 de março de 2016

O mundo ao contrário

Foto: Evandro Teixeira
Na noite do dia 31 de março de 1964, João Goulart não foi deposto da Presidência da República pelas camadas mais conservadoras da sociedade, pelos militares ou mesmo com o apoio estadunidense.
Como Jango continuava no poder, o Brasil não entrou em um regime de governo autoritário imposto pelo positivismo militar. Já que os países de todo o planeta e inclusive o espaço sideral não se encontravam forçosamente polarizados, o século 20 foi um maravilhoso tempo de paz e progresso, e as iniciativas políticas com viés popular não disseminavam o medo do “perigo comunista”. O Brasil não teve vítimas da perseguição política, não teve desaparecidos, não teve censura, não teve movimentos de resistência contra o regime. Como 1964 não aconteceu, ninguém precisou fugir para o exílio. O AI-5 não acabou com as liberdades individuais da população, pois elas tinham sido plenamente conquistadas graças ao grande salto econômico - que não teve qualquer vínculo com empréstimos estrangeiros e futuros endividamentos que levariam o país à crise econômica. A opinião pública não foi e não é influenciada pelos grandes meios de comunicação, que são completamente imparciais e não atendem aos interesses mercadológicos das empresas que os financiam. Já que Getúlio Vargas foi o único exemplo antidemocrático nesse país, o “atraso político” brasileiro, assim como o das outras nações latino-americanas, nada tem a ver com a herança deixada por uma suposta ditadura.

                                                                 Juan David Rico Ortiz | Núcleo de Comunicação

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